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A Minha Sintra

exploração fotográfica pessoal de locais pouco visitados na vasta e complexa área de SINTRA e na sua fronteira com MAFRA

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exploração fotográfica pessoal de locais pouco visitados na vasta e complexa área de SINTRA e na sua fronteira com MAFRA

O Penedo do Lexim

Agosto 28, 2017

dicasetretas

Penedo do Lexim I.jpg

Antiga chaminé vulcânica do complexo vulcânico de Lisboa, o Penedo do Lexim apresenta uma monumentalidade natural, quase como um castelo de penedos.
Esta elevação implantada junto à Ribeira de Cheleiros, foi escolhida como espaço habitacional durante milénios, constituindo um dos mais significativos sítios arqueológicos do concelho de Mafra.

O património geológico, arqueológico e natural presente no Penedo do Lexim fundamenta a sua classificação como Imóvel de Interesse Público desde 1982.

Neste local encontram-se registadas fases de ocupação de diversos períodos cronológicos desde o Neolítico (4000 antes de Cristo) até à época Romana.

Há cerca de 5000 anos no Penedo do Lexim instalou-se um grupo de pastores e agricultores que deixaram significativos vestígios da sua ocupação: artefactos do quotidiano (olaria, pedra lascada e polida, osso trabalhado, metal e restos de alimentação), áreas habitacionais (cabanas) e estruturas defensivas.

Este “castelo natural” rodeado de penedos foi fortificado com muralhas, constituindo-se como um exemplo das primeiras arquiteturas defensivas que surgem no 3.º milénio a. C. em toda a Península Ibérica.

O Penedo do Lexim II.jpg

 

Poucos conhecem a realidade vulcânica que a zona de Lisboa e a sua periferia – a que costumamos chamar de saloios – foi no passado.

Testemunhos desses anos existem em redor da capital, mais concretamente junto à cidade de Mafra. Muitos desses descortinam-se no tipo de rochas que conseguimos encontrar, nomeadamente o basalto. Mas os mais óbvios a olho nu são os pequeno montes que sobraram e que não são mais do que antigos, muito antigos, pináculos de origem vulcânica.

É de um destes cones que aqui falamos: o Penedo do Lexim, uma chaminé de um vulcão cuja actividade foi interrompida há milhões de anos atrás, mas que deixou rasto. Essa pasta de minerais que saiu das entranhas da terra e que arrefeceu quando chegou à superfície lá está, à vista de todos, nas colunas bem talhadas, com feições de prismas e uma cor férrea.

Lá do topo vemos uma boa parte da Estremadura. É difícil imaginar como seria diferente estar ali há milhões de anos atrás, com formações cónicas vulcânicas a terem o protagonismo na paisagem, e rodeadas de pequenos relevos calcários que entretanto sucumbiram às vontades das forças de erosão. Hoje é a planura que fica nos olhos, e os campos férteis que nos rodeiam não param – já o Penedo do Lexim, por ter no basalto o seu escudo, aguentou-se, dando-nos a impressão de ter crescido, quando na verdade foi a sua envolvência que mingou.

Por lá se encontraram vestígios de tempos mais recentes, ainda assim longínquos dos de hoje, situados no Neolítico e Calcolítico, comprovando a importância deste morro como local de vigia e, talvez, como altar de ritos antigos. Mais outros foram desenterrados, de tempos menos distantes, principalmente da Idade do Bronze e já do período da ocupação romana. Antes, estes outeiros eram marcos geográficos: pontos no mapa que se fixavam no inconsciente das comunidades. Já não será tanto assim, mas para as terras que o circundam, o Penedo do Lexim é ainda um acontecimento natural que ninguém desconhece.


Nota Histórico-Artistica
Classificado como "Imóvel de Interesse Público" desde 1982, o "Penedo de Lexim" constitui um dos sítios arqueológicos mais relevantes da Arqueologia Mafrense e do Calcolítico peninsular. Localizado junto a um pequeno núcleo habitacional da freguesia da Igreja Nova e na margem esquerda da Ribeira de Cheleiros, o Penedo terá oferecido condições de habitabilidade suficientemente apelativas para que, entre o IV.º e o III.º milénios a. C., uma comunidade agro-pastoril o tivesse escolhido para aí se instalar.
Identificado ainda no final de oitocentos pelo eminente arqueólogo algarvio, Estácio da Veiga (1828 - 1891), o sítio só voltaria a centralizar o interesse de investigadores já durante os anos setenta do século XX, altura em que se procedeu a uma escavação de emergência em face do sério perigo de se perder para sempre este testemunho do Calcolítico peninsular devido aos trabalhos executados numa pedreira aberta nas suas imediações.
Ocupando uma área de cerca de três hectares, os materiais recolhidos até ao momento permitem corroborar a existência de uma subdivisão da sua ocupação em três fases. Assim, a primeira fase registada até à altura corresponde ao Neolítico final (finais do IV.º milénio a. C.), encontrando-se associada a uma estrutura habitacional sub-circular e a fragmentos ceramológicos lisos, de taças de bordo denteado, vaso carenados e de outros exemplares cerâmicos já integrados no Calcolítico inicial, como nos casos dos copos e das taças caneladas, estando ausentes quaisquer testemunhos metálicos e de adorno.
A segunda etapa, atribuída ao Calcolítico Pleno (III.º milénio a. C.), surge-nos como o nível ocupacional melhor representado no sítio em termos de quantidade e qualidade dos artefactos exumados, reflectindo, eles próprios, a extensão da área ocupada e o número dos seus habitantes. Dos materiais identificados, destaca-se a presença de testemunhos de actividade metalúrgica e de fragmentos cerâmicos significativamente decorados com folha de acácia, caneluras largas e motivos geométricos, além de componentes pertencentes a "queijeiras" e a pesos de tear. Numa época em que, grosso modo, se assistia à introdução de elementos tão essenciais para a consolidação das comunidades agro-pastoris, como a agricultura, o aproveitamento dos lacticínios (atestado neste caos pelas denominadas "queijeiras" - vide supra) e, sobretudo, a metalurgia do cobre - confirmado neste povoado pela presença de punções, de um furador e pingos de fundição -, as condições naturais de defesa do "Penedo de Lexim" foram reforçadas através da construção de muralhas.
Finalmente, a terceira fase equivale à Idade do Bronze, altura em que parece observar-se uma diminuição na actividade humana desenvolvida no "Penedo", embora evidenciada em diversos artefactos metálicos e ceramológicos, estes últimos predominantemente representados por exemplares com carenas acentuadas e vasos de colo alto.
O penedo do Lexim materializa uma conduta vulcânica profunda que provavelmente alimentaria um pequeno aparelho vulcânico à superfície, a partir de uma câmara magmática localizada em profundidade, durante o Cretácico Superior.

Esta conduta, equivalente a uma chaminé vulcânica, integra o Complexo Vulcânico de Lisboa, que para além deste tipo de corpos intrusivos também apresenta escoadas lávicas (alimentadas por chaminés como a do Lexim), soleiras e filões. Este complexo faz parte do segundo pulso de actividade magmática alcalina do Cretácico Superior e deverá ter uma idade de 72 Ma.
O Penedo do Lexim é constituído por uma rocha basáltica, alcalina, com textura porfíritica (s.l.), onde se observam fenocristais de olivina e de piroxena envolvidos por uma matriz afanítica. Estas rochas intruem calcários e margas do Albiano-Cenomaniano médio.
Esta chaminé encontra-se excepcionalmente bem preservada e ocupa uma posição de destaque no relevo da região. A existência de um corte derivado de antigas actividades extractivas criou excelentes condições para a observação da disjunção prismática que caracteriza esta chaminé.
Os prismas poligonais (geralmente hexagonais) que formam as colunas típicas deste tipo de disjunção formam-se em consequência da contracção da rocha durante o arrefecimento e o seu alongamento é geralmente perpendicular ao contacto com a rocha encaixante .

É conhecido como sendo um dos pontos-chave para a compreensão do Neolítico e da Idade do Cobre na Península Ibérica. Utilizado durante o Neolítico final, Calcolítico e Idade do Bronze, épocas das quais restam artefactos diversificados.
No Penedo do Lexim observam-se os restos de uma chaminé vulcânica, o magma que a formou sofreu arrefecimento lento e gerou minerais bem desenvolvidos e arranjados em forma de colunas prismáticas.
O magma sofreu arrefecimento lento e gerou minerais bem desenvolvidos (basalto holocristalino) e arranjados em forma de colunas prismáticas. O basalto alcalino das colunas prismáticas é constituído por cristais de olivina, piroxenas e feldspatos sob a forma de minerais desenvolvidos, visíveis a olho nú, isto é, apresenta uma textura porfíritica.
Este local, com origem no complexo vulcânico da região de Lisboa, foi, em tempos, uma pedreira onde se realizava extracção de basalto. Hoje em dia, é considerado património geológico.
Existem também basaltos com deposição de argila. E solo constituído por minerais ferromagnesianos e portanto bastante rico para a agricultura.
Do topo do penedo observa-se uma agradável paisagem natural.

 

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