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A Minha Sintra

exploração fotográfica pessoal de locais pouco visitados na vasta e complexa área de SINTRA e na sua fronteira com MAFRA

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A aldeia de Broas

Janeiro 16, 2017

dicasetretas

 

Ghost Village 1th one Blog 1.jpg

 

Aldeia de Broas uma breve apresentação

 

A aldeia de Broas, que se encontra totalmente abandonada há mais de 40 anos, segundo alguns, não foi modificada após o seu abandono.

Broas é uma aldeia desabitada que se situa maioritariamente na freguesia de Cheleiros, concelho de Mafra, e a sua restante área na freguesia de Terrugem, concelho de Sintra.

Apesar do difícil acesso local, a aldeia encontra-se próxima de importantes vias de circulação como a N9, N247, IC16 ou a A21.

A aldeia encontra-se rodeada de um vasto património cultural natural, nomeadamente sob o ponto de vista do coberto vegetal, dos diversos e diferentes afloramentos rochosos e também de alguma fauna endémica da zona.

A topografia do terreno em que se insere apresenta várias elevações cónicas, ou broas, daí o seu nome.

Broas desenvolve-se numa encosta orientada para o vale de Cheleiros, onde confluem a ribeira da Cabrela e o rio Lizandro.

Esta é uma aldeia com características saloias, composta por cerca de 9 habitações, 4 lagares, vários armazéns e currais.

No povoado existe também um pombal e várias eiras, grande parte dos terrenos em redor, delimitados por muros de pedra, eram explorados para fins agrícolas.

Nesta aldeia não existe qualquer tipo de edifício de religioso, administrativo ou comercial.

A pedra é um elemento em abundância no local, daí todas as construções serem erguidas em alvenaria de pedra extraída diretamente do solo.

As habitações são compostas por casa de fora, quartos e cozinha, nesta última divisão existe sempre um forno.

Só as habitações possuem dois pisos, todos os outros edifícios têm apenas o piso térreo.

Característico da aldeia é um grande freixo rodeado por bancos de pedra, que se encontra no centro do povoado, era frequente a população reunir-se nesse local para conviver e debater os seus assuntos.

Broas chegou a ter cerca de 25 habitantes, os seus dias baseavam-se no ritmo das culturas e da pastorícia, as atividades que lhes garantiam sustento.

A aldeia nunca foi independente, os seus habitantes necessitavam dos serviços que só outras povoações lhes podiam oferecer.

Atualmente a aldeia é apenas um esqueleto de pedra, que as ervas daninhas aconchegam com o restolho dos anos.

 

Ghost Village Two blog 1.jpg

 

Desde a saída do último habitante que a aldeia não sofreu alterações a nível arquitetónico, mantendo-se uma das poucas aldeias medievais portuguesas já abandonada e em tão bom estado de conservação.

Nos últimos anos Broas foi mencionada em vários artigos de jornais locais, tem sido objeto de estudo por parte de vários investigadores e aparece categorizada como imóvel não classificado de interesse patrimonial na revisão do plano diretor municipal da Camara Municipal de Mafra de 2009.

Atualmente esta aldeia está integrada em alguns roteiros culturais e desportivos, o que a leva a ser bastante procurada por praticantes de atividades ao ar livre.

Há indícios de ocupação humana na margem esquerda da ribeira de Cheleiros, onde se situa a aldeia de Broas, no período paleolítico. Vários achados arqueológicos permitem sustentar que na época romana toda a zona de Faião, próxima da aldeia, tivesse grande ocupação.

 O primeiro registo histórico que se conhece sobre a aldeia de Broas pertence ao censo populacional e tem data de 1527. Neste documento a aldeia aparece denominada como Aldea das Boroas, sendo termo da vila de Chilheiros.

 Em 1805 sabe-se que a aldeia de Broas já pertencia à freguesia de Cheleiros, concelho de Mafra, como revela um marco geodésico ali encontrado.

No ano de 1834 é definida a divisão administrativa entre os concelhos de Mafra e de Sintra, delimitando a aldeia em dois concelhos.

 A casa mais recente data de 1888 conforme consta na gravação da pedra de um óculo que lhe pertence.

Em 1936 a aldeia é mencionada como integrando a freguesia de Cheleiros, concelho de Mafra.

No ano de 1950, viviam na aldeia cerca de 25 pessoas (6 a 7 famílias).

Desde então a quantidade de habitantes decresceu, sabe-se que a última habitante de Broas foi Ti Jaquina, segundo uma antiga moradora da aldeia.

 No entanto há uma certa controvérsia quanto à data exata do abandono da aldeia, ainda assim todas as datas recolhidas se inserem num período que vai desde 1969, data em que sucedeu o terramoto que abalou a zona de Lisboa até 1982.

 Desde essa data a aldeia nunca mais foi habitada, isto permitiu que a aldeia mantivesse a sua forma original.

Durante algum tempo um dos seus lagares, já inativo, serviu como curral para guardar ovinos e caprinos.

 A aldeia encontra-se bastante degradada.

Há vegetação a crescer no interior das ruinas que provoca o desabamento de algumas paredes e coberturas, e também ocorrem atos de vandalismo, desde o roubo de cantarias em pedra ou até mesmo a incêndios provocados no interior das casas.

 A povoação mais próxima, Almorquim, dista cerca de 600 metros, estas duas aldeias estão separadas por um caminho apenas transitável a pé, por bicicleta ou por pequenos veículos motorizados.

Um dos acessos originais era uma estrada de origem romana da qual ainda se encontram vestígios.

Ao longo dos anos a aldeia foi perdendo população devido a fatores de várias ordens. A agricultura praticada em Broas tornou-se pouco rentável e por isso deixou de garantir oportunidades de emprego.

Este facto teve um grande peso negativo sobre a economia local, contribuindo para que alguns dos habitantes se vissem obrigados a abandonar a aldeia em busca de rendimentos mais atrativos.

À semelhança do que acontece em aldeias com outros casos de desertificação, a população torna-se envelhecida e quem explora atividades económicas possui baixa qualificação académica. Falta de inovação, de equipamentos e infraestruturas de apoio, entre outros meios que possibilitam o progresso e rentabilização da sua produção complementam as razões para o declínio.

Broas não conseguiu acompanhar a evolução dos tempos, não houve o investimento necessário para manter o conforto básico dos seus habitantes.

Os acessos viários à aldeia foram-se danificando, dificultando cada vez mais a passagem a veículos automóveis.

A aldeia nunca chegou a ser dotada de infraestruturas básicas como água canalizada, eletricidade, telefone ou saneamento básico.

Tudo isto fez com que a população, sobretudo a mais jovem, partisse à procura da melhor qualidade de vida, e estatuto social que os centros urbanos lhes prometiam.

A divisão entre concelhos a que Broas está submetida acabou por contribuir para esta falha no seu desenvolvimento, pois nem a Camara de Sintra nem a de Mafra assumiram o papel essencial para o seu apoio.

Muitos dos habitantes que saíram de Broas fixaram-se em aldeias vizinhas como Faião, Cabrela, Cheleiros ou Almorquim, outros em Lisboa e alguns emigraram mais tarde para França.

 

ghost village, 4th, threshing-floor house blog 1.j

 

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